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Estava em desespero! Tentou manter a calma, mas estava difícil. O seu prazo estava acabando, tinha que realizar logo sua tarefa. Tinha tentado de tudo: Chat, pedir para seus amigos, tentou até conseguir com um Dominador uma conhecida dele, mas ele provavelmente ia pedir algo em troca e isso não era bom.

O tempo foi passando, foram ao swing… Mas não valeu como tarefa, então continuou sua procura. Em um ato de desespero, publicou um “anuncio” em uma página da rede social de um amigo, e para sua surpresa deu certo! Ela encontrou uma pessoa disposta a compartilhar a cama com ela e seu Dono.

Agora deveria partir para a etapa numero Dois, conversar e verificar se realmente era mesmo quem dizia ser. Tinha experiência em fakes, homens que se passavam por mulher somente para ter uma transa virtual, isso dava para perceber facilmente pelas conversas, pois querem saber sobre o corpo, qual forma se gosta de transar, se gosta de sexo oral e assim vai. Conversa de mulher, mesmo sendo fetichista não passa por esses assuntos ou não fica só nele.

Conversou com a nova amiga todos os dias, trocaram informações e experiências… Ela também era submissa, mas estava sem Dono atualmente, pois ele havia mudado de cidade e por várias razões não pode ir com ele, a separação foi inevitável.

O Dono queria uma resposta e confirmação da identidade até o final de novembro e a tarefa deveria ser realizada até o final de dezembro. Estava muito ansiosa, queria fazer tudo logo…

Ela fez o que o Dono ordenou e confirmou a identidade, trocaram fotos e ficaram amigas no face baunilha, agora se conheciam por fotos. Todas as informações foram passadas para o Dono, e agora ele também estava mais tranqüilo.

Vendo as fotos da amiga, seu Dono disse que realmente dava para ver que era submissa, pois tinha realmente uma “carinha”. Para ela isso foi um grande elogio, e ainda não tinha sido elogiada assim, afinal não tinha “carinha” de submissa, não era a toa que muitos a confundiam e a chamavam de Rainha. Suas amigas Dominadoras não se conformavam em vê-la como uma submissa, Senhora Lucifer sempre disse que ela tinha potencial para ser Dominadora. Podia não ter “carinha” de submissa, tinha até porte de uma Rainha, mas sua alma e seu coração eram submissos… E sua alma e seu coração tinham um Dono. É uma cadela, mas muito orgulhosa! Poderia se sujeitar, mas faria isso com classe e com o charme de uma dama e na cama, a mais vadia das putas.

O clima entre os dois estava bastante tenso. Ele havia cobrado dela mais dedicação como relação ao blog que tinha feito para colocar seus contos e poesias. Diferentemente do que ele achava, estava feliz sim, muito feliz. Já estavam completando quatro meses juntos e ele estava com ela, isso em seu ponto de vista era uma vitória, em um mundo onde as relações eram efêmeras.

Era injusto dizer que ela não estava feliz, se dedicava tanto… Amava tanto. Demonstrava seu afeto em pequenos gestos. Mandava emails carinhosos, desejava bom dia via sms. Mas não tinha resposta, não era retribuída, mas não achava que isso era falta de afeto, poderia ser falta de tempo pensava. Ele tinha mais o que fazer do que responder um email bobo. Então parou de mandar sms e depois desistiu dos email. Mas não deixou de amar.

Mas ela não era fria, então não estava sendo verdadeira. Ela reagia conforme as reações do outro. Mas não estava se sentindo bem com isso… Ela não era fria e gostava de demonstrar seu afeto, gostava de se mostrar presente e carinhosa. No começo ela até sentia dele pequenas reações de carinho, mas ultimamente as coisas pareciam ter mudado e estava com medo. O que podia esperar?

Mas parou e refletiu: Era extensão de seu Dono no que diz respeito ao prazer e não a personalidade. Ela é quente, doce, amável, brincalhona… Uma moleca às vezes, não queria cometer um suicídio emocional, não iria anular-se. Iria voltar a ser o que sempre foi. Pegou o celular e mandou uma mensagem para o Dono, abriu o email e lhe enviou uma imagem picante. Estava morrendo de saudades.

Precisamos respeitar as diferenças, afinal de contas não somos iguais e nos atraímos pelas nossas diferenças. Ela não gosta de homens melosos, ele gosta do charme carinhoso dela…

Sua tarefa estava indo muito bem, e o Mestre estava contente… Ele pediu que ela conversasse com a D via web cam é foi isso que ela fez. As duas combinaram em um sábado e conversaram e agora se conheciam uma pouco mais. Cada dia que passava via que sua tarefa estava mais próxima de ser realizada, e agora deveria marcar o encontro. Conversou com a amiga e falou para ela que o Mestre queria realizar o encontro no dia 15, e ela iria responder se poderia ou não apenas no outro dia, então iria aguardar. Independentemente se ela fosse ou não o Mestre disse que iriam se encontrar nesse dia, e provavelmente só se veriam novamente em janeiro.

As coisas estavam ficando um pouco tensas. A ultima vez que falou com a amiga foi na segunda feira e ela havia dito que iria dar a resposta no dia seguinte. Já era domingo e ainda não falara com ela, e o Mestre já estava cobrando.

Certas coisas não dependiam apenas dela, o envolvimento de uma terceira pessoa complicava ainda mais sua tarefa. Foi difícil encontrar uma mulher disposta a isso, quando encontrou achou que seus problemas estavam resolvidos, mas não estavam. Para complicar são três pessoas de cidades diferentes, teriam que combinar para se encontrarem em SP. Teria que depender da disponibilidade dela, e o Mestre não estava interessado ele só queria a tarefa cumprida.

Ela estava triste, se sentindo desamparada e sem saber qual seria seu futuro. E se não realizasse a tarefa até final de dezembro? Ele a dispensaria?

Ela sabe que nessas horas, não existe amor, existe apenas a palavra faça, e se não fizer sabe que corre o risco de ficar sozinha.

Sua vida estava tão difícil, ela queria apenas se divertir e rir, mas não conseguia, só conseguia chorar e chorar.

Pelo MSN o Mestre perguntou:

“Se a D, não poder ir, já via desistir?”

“Não”, ela respondeu. O dia que desistisse de algo, seria para sempre e ele teria que procurar outra submissa. Era assim em tudo, dificilmente desistia de algo sem lutar muito.

“Cadelinha, você sabe que seu prazo está acabando…” o Dono continuou.

O que ela queria ter respondido: “Ah, vá! Jura? Se não fala não estava sabendo!

O que ela respondeu: “sim, SR”.

E ela ainda disse que as coisas não dependiam somente dela, e que não podia mais colocar dias em dezembro, o mês estava acabando, depois do dia 15, as coisas se complicariam ainda mais, pois já era a semana de festas de Natal e Ano Novo. Mas ele também não estava preocupado com isso, e a vontade que ela tinha era dizer algumas injúrias, mas se conteve.

Seu desejo nesse momento era jogar tudo para o alto e sair correndo, estava com raiva, ia ter um colapso nervoso, foi um dos piores finais de ano que teve na vida e mais uma vez ela teve certeza, que nada seria fácil, nunca teria um amor tranqüilo, nem uma vida tranqüila… A vida não era nada generosa com ela, nem os outros…

Ela havia comprado uma roupa para o dia, mas nem nisso ele parecia estar interessado, perguntou umas três vezes se ele havia gostado, e no final disse que tinha respondido o email, mas ela não recebeu nada. Ele até disse que gostou, mas a essa altura nem acreditou em suas palavras.

Ele disse que a internet estava ruim, e a dispensou para ir dormir. Mas ainda faltava cumprir com sua obrigação, terminar e enviar o relato. Então ela terminou e enviou, deu um frio “Boa noite” para o Dono e foi chorar em sua cama, estava perdendo suas forças, estava se sentindo um fracasso.

Até que no domingo a tarde teve uma boa noticia, a amiga respondeu sua mensagem no Facebook que a deixou mais tranqüila: Estava confirmado que iria vir no dia 15 para SP. Estava feliz, aliviada… Não sabia se ria ou chorava! Rir era melhor, já que estava com os olhos inchados de chorar durante a noite.

Enfim chegou o grande dia, mas deu tudo errado… O Mestre doente, chuva e uma cadelinha com dor de dente. Mandou um recado para a amiga por sms e deixou um recado no face se explicando. A tarefa foi adiada, provavelmente para o dia 21, mas como é dezembro e é uma data bem próxima das festas, talvez não dê para realizar a tarefa esse ano…

Foi como ela imaginou, não vai dar para se encontrarem os três no dia 21, a amiga tem compromissos e vai viajar e só volta no dia três de janeiro…

No sábado a noite ela conversou com o Dono, e foi uma conversa que a deixou tão insegura… A principio falaram sobre coisas banais, ela perguntou se Ele estava bem de saúde, então ela comentou que esteve com dores de dente, mas parece que ele não estava muito interessado em suas dores, foi logo cortando a conversa e mudando de assunto… Perguntou de onde a amiga era, então ela disse a cidade do interior onde morava. Ficou um pouco sem graça, sem saber o que falar depois. Então pela primeira vez eles se falaram, pois justamente nesse momento a amiga entrou no MSN, assim Ele a deixou e foi falar com a outra submissa. Não quis atrapalhar, por isso não o chamou e ele também não a incluiu na conversa… Ficou quieta.  Depois de um tempo, e já cansada e com sono o Dono a chamou para se despedir, e assim foi.

Ela não era suficientemente forte para certos tipos de coisas, precisava se sentir confiante e confiar no outro para não se sentir tão frágil. Já tinha sido enganada, então não confiava e estava com medo. Estava sentindo que sua entrega estava indo para o ralo, estava sendo jogada fora.

Essa é uma situação que pode ser realmente um castigo, provoca insegurança, medo de ser abandonada, desespero! Era difícil não ligar, tudo que o outro diz nesse momento, parece que se eleva ao dobro, tudo se torna tão intenso, que fica difícil não ficar louca e pular no pescoço do Dono e estraçalhar sua jugular. Esse é aquele momento em que ele está a levando ao inferno… Esperava não ficar tentada a comer os caroços de romãs e ficar por lá!

“A vida é assim: esquenta e esfria, aperta daí afrouxa, Sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.”

Guimarães Rosa

E o que ela precisava era isso: um pouco de coragem e tentar ao máximo permanecer em sua loucura saudável.

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