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Mulher escrevendo carta (LINDO)

Fernando Pessoa
(Poesias de Álvaro de Campos)

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.

A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

 mulher escrevendo

Hoje não costumo mais escrever cartas de amor como Fernando Pessoa escrevia em sua época, mas ainda sim sou ridícula.

Posso dizer que escrevo e-mail de amor, que são ridículos.

Aqueles e-mail de bom dia com uma imagem… Flores ou bichinhos fofos (quem nunca foi ridículo que atire a primeira pedra!)

Ou aquelas ridículas declarações de amor! Não vai perfumada com papel carta decorado, mas o amor é o mesmo… ridículo.

outro dia fiz algo ridículo: Desenhei dois bonequinhos em uma folha de papel toalha e coloquei em um porta retratos, embrulhei em um papel de presente e dei para ele. Foi o mais próximo que cheguei de uma carta de amor a moda antiga. Adoravelmente ridículo! Acredito que agora está decorando sua mesa de trabalho e trazendo um pouco desse sabor ridículo a sua vida.