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A BORRALHEIRA [Guimarães Júnior]

Meigos pés, pequeninos, delicados,

Como um duplo lilás, se os beija-flores

Vos descobrissem entre as outras flores,

Que seria de vós, pés adorados!

Como dois gêmeos silfos animados,

Vi-vos ontem pairar entre os fulgores

Do baile, ariscos, brancos, tentadores,

Mas, ai de mim! como os mais pés, calçados.

Calçados como os mais! Que desacato!

Disse eu… Vou já talhar-lhes um sapato

Leve, ideal, fantástico, secreto…

Ei-lo. Resta saber, Anjo faceiro,

Se acertou na medida o sapateiro:

Mimosos pés, calçai este soneto.

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AD INSTAR DELPHINI [Manuel Bandeira]

Teus pés são voluptuosos: é por isso

Que andas com tanta graça, ó Cassiopéia!

De onde te vem tal chama e tal feitiço,

Que dás idéia ao corpo, e corpo à idéia?

Camões, valei-me! Adamastor, Magriço

Dai-me força, e tu, Vênus Citeréia,

Essa doçura, esse imortal derriço…

Quero também compor minha epopéia!

Não cantarei Helena e a antiga Tróia,

Nem as Missões e a nacional Lindóia,

Nem Deus, nem Diacho! Quero, oh por quem és,

Flor ou mulher, chave do meu destino,

Quero cantar, como cantou Delfino,

As duas curvas de dois brancos pés!

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