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Eu também sou vítima de sonhos adiados, de esperanças dilaceradas, mas apesar disso, eu ainda tenho um sonho, porque a gente não pode desistir da vida.

Martin Luther King

Eu queria desistir da vida, mas a vida nunca desistiu de mim. Vou continuar sendo serva sem coleira. Vou continuar em silêncio.

Hoje acordei feliz, tão feliz que a felicidade caia de meus olhos em forma de gotas.

Fui tomar meu desjejum, e não existe algo mais saboroso e que me deixa feliz do que comer mamão com iogurte. Mas não é qualquer iogurte, é o novo Activia Greco! Misturar o mamão picadinho com o iogurte e comer, não existe nada melhor, nada mais saboroso. Precisos de momentos suaves assim, já que meu intestino sempre me lembra que sou masoquista. Ir ao banheiro é como fazer uma sessão de fisting, depois vem à sessão humilhação, pois tenho ir até a área de serviço e pegar aquele desentupidor enorme para desentalar o vaso sanitário.

Lembro que quando criança era 10 vezes mais gostoso (pior). Imagine uma criança de cinco anos fazendo fisting, essa era eu no vaso sanitário, eu gritava e chorava de dor. E para ajudar minha mãe me obrigava às vezes a enfiar uma ducha com água em mim (desde criancinha fazendo enema). Então como não ser feliz? Sempre tive a vida BDSM que sempre quis!

Voltando ao meu nascimento… Foi minha primeira experiência com asfixia. Demorei cinco dias para nascer, e minha mãe diz que eu estava totalmente roxa.

Depois aos oito meses de vida, tive minha primeira experiência com copofragia. Tirei o conteúdo da fralda e passei no berço, no rosto e ainda comi um pouquinho. Às vezes quando achava uma barata comia também, mas hoje tenho pavor de baratas.

Depois veio a fase das agulhas.

Eu tive infecção de amídalas e precisei tirá-las, mas até isso acontecer o médico que provavelmente era sádico me fez sofrer um pouco. Foram umas 100 agulhadas de algum remédio antibiótico e mais alguns tantos vidros de bactrin. Eu me lembro de tomar injeções todos os dias! E para não fazer escândalo, minha mãe me prometeu um brinquedo… Escolhi um boneco que virava e chorava vermelho com capuz que me acompanhou como fiel escudeiro por vários anos de minha vida de hospitais e agulhadas.

Não me recordo se foi antes ou depois de operar as amídalas que meus rins entraram em colapso e eu não conseguia andar.

Devido à baixa imunidade veio a fase das impinges. Mas elas não sumiam com uma simples pomada anti micótica, apenas um ácido sem ser diluído em água conseguia eliminá-las… Já pingaram ácido na pele? Dói muito.

Mas depois que operei, tive alguns momentos de felicidade. Pude tomar sorvete! Foi o melhor momento de minha vida, depois de tanto sofrimento tive a recompensa.

Mas não acabou por ai, pois veio a fase de privação de alimentos. Minha mãe grávida. A sopa de osso com fubá era uma delicia! E só tinha isso para come. Nem as baratas eu comia mais. Fiquei tão desnutrida que meus cabelos caíram.

Depois disso as coisas melhoraram um pouco, minha irmã nasceu… Saudável! Ainda bem.

Mudamos de cidade, a vida ficou um pouco melhor… Conheci um local chamado biblioteca e me refugiei nos livros.

Como não ser feliz né?

Sou tão feliz que a felicidade transborda de meus olhos em forma de gotas.

Hoje eu sou submissa, desde sempre masoquista.

E a noticia mais feliz que tive foi a de que ainda continuarei sendo uma serva sem coleira para me aperfeiçoar ainda mais em minha submissão. Foi uma notícia tão boa que não consegui deixar a felicidade dentro de mim e ela caiu de meus olhos em forma de gotas.

Mas para quem viveu BDSM desde que nasceu, continuar serva sem coleira não é nada. Fui serva sem coleira a minha vida toda! Apanhei e sofri. Essa noticia não pode me abalar…

Ainda continuarei lutando, em silêncio.

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