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Acordou Macabéa.

Ficou na cama lembrando-se do namorado Olimpio da pobre Macabéa, que a levou para tomar um cafezinho e disse que se ficasse caro de mais ela iria pagar a diferença… Começou a rir sozinha.

Levantou Macabéa.

Desculpou-se por tudo… Por ter nascido, por usar oxigênio do planeta, por ser tão apática.

Foi tomar café Macabéa.

Só um pouco de café frio e uns pedaçinhos de papel. Quando criança costumava comer papel e imaginava que era um chocolate branco, foram tempos difíceis!

Talvez encontrasse uma cartomante que leria sua sorte e ao atravessar a rua deslumbrada fosse atropelada.

Morreria Macabéa.

A hora da Estrela era seu romance favorito de Clarice Lispector. Às vezes imaginava que abraçava Macabéa e lhe dizia que tudo iria ficar bem, em outras queria esbofeteá-la. Amor e ódio por essa nordestina.

Era uma sexta-feira de feriado, um feriado cristão qualquer. Não era cristã, nem mesmo acreditava em um ser divino superior, era muito racional. Esse foi um dos motivos para não se casar na igreja, e também como não acreditava em papéis, também não quis casar em cartório.

O noivo, futuro marido ficou aliviado, fugia assim das contas… Talvez tenha até pensado em pagar um cafezinho para ela, já que não dava muitas despesas…  Mas iria cobrar a diferença se ficasse muito caro!

Mas ele não era de todo tão cruel. Como não teriam despesas com casamento, não economizou na lua de mel. Eles viajaram por várias praias do litoral nordestino, ela ficou encantada! Foi a melhor época de sua via…

Hoje daria atenção somente para si mesmo, não estava com tempo e nem disposição para procurar um de seus amantes.

Começou por cuidar dos cabelos… Recentemente deixou os cabelos crescerem e os cortou bem curto para retirar por completo sua obsessão por cabelo liso. Voltou a ser cacheada.

Estava se sentindo uma gata preguiçosa… Nem tirou o pijama, ficou na sala jogada no sofá.

Cochilou…

Acordou assustada com a fechadura da porta mexendo, será que havia dormido de mais e já eram 11hs da noite, não era possível!

Não era mesmo, seu marido havia chegado mais cedo em casa. Foi uma surpresa, ele nunca fazia isso.

Ele perguntou por que não tinha ido aproveitar o feriado e ido passear com as amigas… Ela respondeu que estava com preguiça – o que era a mais pura verdade.

Ele a beijou e foi se afastando para ir ao banheiro, mas ela o segurou pela mão e pediu para que ele se sentasse ali. Ele se sentou, e como uma gata manhosa ela foi se aconchegando a ele, cheirando seu corpo suado, beijando seus lábios. Fazia tempo que não tinha oportunidade de devorar aos poucos o seu marido. Ele queria tomar banho, mas ela não deixou. Tirou a roupa e abaixou as calças dele, sugou seu membro duro com muito gosto. Subiu no colo dele e o fez penetrar… Estava excessivamente molhada, possuída por um desejo que somente ele poderia saciar.

Tinha seus amantes e eles eram maravilhosos, mas seu marido… Era odioso! Ela o amava!

Tinha ódio dela mesma por isso… Era por isso que não ia embora. Era por esse sentimento que não conseguia deixá-lo.

Sentia seu membro entrando e saindo, gozava e gemia de prazer…

Sem avisar ele a deitou no sofá e ficou por cima dela. Ele a olhou nos olhos e disse: “Você gosta disso né… Gosta de minha frieza e depois adora o jeito como eu a pego com força…”

Ela ficou surpresa com aquelas palavras e com raiva também… Respondeu um sussurrante “eu te odeio!”… Ele riu e respondeu que não, “você me ama! E por isso não vai me deixar…”

O gozo foi muito maior que a raiva que sentia, e o vai e vem de seus quadris não parava em cima dela. Muitos orgasmos ela teve.

Depois que terminaram ele a puxou para o banheiro. Não conversaram muito, o diálogo ficou entre seus corpos e seus lábios que não paravam de se beijar.

Transaram até seus corpos não agüentarem mais…

Ela acordou Macabéa de Clarice Lispector, mas deitou-se ao lado do marido aquela noite como “O” de Pauline Réage.

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