O beijo

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1-12310026212b8WSomente agora ela percebeu que só imaginou os beijos, não houve beijos, não houve intimidade.

O primeiro encontro intimo dos dois foi prático. Improvisado, mas prático. Não houve beijos, seria a puta e não se beija putas.

Fizeram sexo e ele ordenou que engolisse seu pau, sem engasgar! Putas não engasgam, putas não negam nada!

E por fim ele gozou.

Um gozo prático.

Enganando a si mesma, ela imaginou os beijos. Não houve beijos, era a puta.

Iriam ter mais daquela intimidade prática, iria se deitar com outros a mando dele, seria sua serva, sua puta, mas não poderia beija-lo. Ele não queria amor, apenas obediência. Se um dia viesse a ama-lo, teria seu pescoço quebrado.

“Porque pra nós, mulheres negras, sobreviver e ser feliz é um ato revolucionário!!”

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Zaira Pires: Redatora, revisora, blogueira e jornalista.

Todos os dias nós mulheres negras sobrevivemos!

Sobrevivemos apesar de crescer ouvindo que o boi que assusta tem a cara preta, que o gato que dá azar é preto, que inveja que já é ruim, fica pior quando é preto, que o humor que desrespeita é negro, que quando a coisa tá ruim ela tá preta, que a lista do que não presta é negra, que falar mal de alguém é denegrir – tornar negra.

Sobrevivemos apesar de nossos cabelos, nossa roupa  e nossa cultura estarem na moda sem a gente dentro.

Sobrevivemos apesar de crescermos que nosso cabelo é errado, que a cor de nossa pele é errada, que nosso nariz é errado, que o formato de nosso corpos é errado, ou melhor às vezes é certo desde que seja entre quatro paredes sem contar para ninguém e não pode dize não, afinal toda mulata é fogosa e só serve pra sexo.

Sobrevivemos apesar de ganhar menos com mais anos de estudo. Apesar de estarmos sempre nos cargos subalternos, apesar de termos jornadas triplas, apesar de sermos a grande maioria se prostituindo por pequenos valores, apesar de sermos as maiores vítimas de feminicídio, apesar de sermos as maiores vítimas do aborto inseguro, apesar de sermos as maiores vítimas de violência obstétrica, apesar de vermos nosso filhos morrerem nas mãos da violência policial, apesar de criarmos nossos filhos sem pai, e sermos a maioria em celibato definitivo, apesar de não termos direito a amor, sobrevivermos!

Pior se for lésbica, pior se for transgênera, pior se for gorda, pior se for mãe solteira, pior se for muito jovem ou se for velha de mais, porque o branco masculino, heterossexual, cisgenero e magro é a norma, a régua usada para enquadrar a todos, e quanto mais distantes suas medidas estão das ideais, menos espaço o mundo tem pra você.

Sobrevivemos denunciando o machismo do homem negro e o racismo na luta da mulher branca. Para ambos nossa voz é inconveniente porque aponta a falha que eles não querem enxergar. E não cabendo nem lá, nem aqui, criamos nossas brechas e sobrevivemos e de tanto sobrevivemos acabamos aprendendo a viver contrariando todas as estatísticas e sendo felizes.

Sobrevivemos e resistimos porque prá nós mulheres negras, viver e ser feliz é um ato revolucionário.

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Transcrevi esse texto da zaira de um vídeo que ela fez para o dia da consciência negra em um canal de TV. Muitas coisas passaram pela minha cabeça, muitas coisas que não tinha me empoderado ainda. As vezes eu achava que era coisa de minha cabeça, que eu estava delirando.

Mas não é e hoje eu sei:

1°: Se eu fosse branca, loira de olhos verdes/azuis, não seria invisível. Mulheres negras foram feitas para quatro paredes. 

2°: Será muito difícil, até mesmo impossível encontrar alguém disposto a dividir uma vida comigo, com filho! Mãe solteira e negra periférica? Sei que vou morrer sozinha. Posso estar enganada, mas prefiro estar pronta para essa possibilidade… Preciso fazer a carteirinha do Hostels Brasil – Albergue da juventude, porque está só não significa ser infeliz! 

Não é fácil viver minha sexualidade, ser submissa, curtir BDSM. Sei que os homens vão chegar perto de mim para viver seus fetiches, suas taras, vou ser usada, vou ser magoada, será que vou ter que abandonar tudo isso? Me sentir mais solitária ainda? Como lidar com tudo isso e ser feliz? 

 

A história de uma alma perdida.

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E a garota entrou.

Não viu a pessoa que havia destrancado a porta. Poderia ter saído dali (deveria ter saído), mas sua curiosidade foi bem maior que seu medo.

seus pais diziam que a casa estava vazia, não morava ninguém lá havia muito tempo. ela não acreditava, outro dia viu uma senhora entrar na casa e lá de dentro exalava um cheiro estranho, uma mistura de ervas e coisas podres.

Continuou o passeio aterrorizante totalmente hipnotizada. As amigas diziam que estava louca, mas ela sabia que alguma coisa estava acontecendo – a casa a chamava!

Ouviu um murmurio vindo da parte de cima da casa, subiu as escadas. Quando chegou perto de um dos quartos entendeu que o murmúrio era seu nome, alguém chamava por ela! Correu até o quarto escuro e até se acostumar com a escuridão que a encobria demorou um pouco. Continuou com os ouvidos atentos e mais uma vez ouviu seu nome e desta vez percebeu de onde vinha. Da cama uma pequena coisa decadente e mofada que da boca semi aberta aparentemente saia o som. A garota entendeu por fim que o som que ouvia estava em sua mente, a coisa a chamava telepaticamente.

- Estou te esperando a muito tempo menina! Eu escolhi para ser minha herdeira. Não foi fácil escolher a pessoa certa e você se encaixou perfeitamente, é curiosa e não tem medo!

- Vou herdar uma fortuna? Perguntou a garota com brilho nos olhos.

- É mais que uma fortuna! É a sabedoria de uma vida toda, desde o começo dos tempos.

A garota não entendeu muito, e só ficou sonhando com viagens e roupas novas.

- Para que possa herdar, você precisa fazer uma coisa, e é bem simples… Pegue aquele frasco que está lá em cima da comoda, atrás de você.

A garota virou-se e foi até o frasco.

- Beba

-Só isso? Perguntou a garota.

-Só isso menina! E tudo será seu.

-Isso é fácil! Abriu o frasco e bebeu. Tinha gosto de ervas e coisas podres, como já tinha sentido.

Uma coisa estranha começou a acontecer, talvez tenha perdido os sentidos. Começou a cair em si e percebeu que nada daquilo fazia sentido. Provavelmente era um sequestro, seria morta e seus órgãos seriam retirados, seus pais nunca saberiam o que aconteceu! Como era burra! Mas agora era tarde, estava perdida!

Por fim conseguiu abrir os olhos, percebeu que estava deitada, mas algo estranho estava acontecendo, parecia um sonho! Não era possível, mas viu seu corpo em pé rindo! Não entendeu nada. A coisa que era ela, começou a falar:

- Não foi fácil, fiquei muito tempo presa a esse corpo, mas eu consegui atrair a alma perfeita! VOCÊ. Curiosa, sem medos, sedenta por aventuras e riquezas. inescrupulosa. Agora irei viver um pouco, vou voltar para casa… Meus pais estão me esperando!

A garota queria gritar, pedir socorro, gritar os pais… Mas tudo em vão. Nunca mais sairia dali.

E não saiu mesmo! Aquela noite um incêndio destruiu a casa decadente, e abraçada aos pais a garota de alma milenar e cruel assistiu a tudo triunfante!

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Você sente minha falta?

“Você sabe que realmente AMA alguém quando a ausência desta pessoa traz uma saudade IMENSA!”

Foi o que uma amiga escreveu lá na rede social. Fiquei refletindo sobre essa frase:

Será que podemos sentir falta daquela pessoa que nunca esteve realmente presente, será que sentimos falta do que nunca existiu?

Muitos questionamentos são feitos – Você sente minha falta? Porque eu nunca estive muito presente em sua vida, fui mais um fantasma uma sombra do que algo concreto.

Você sente minha falta?

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As vezes fecho meus olhos e imagino coisas, só para fingir que tudo realmente existiu.

 

 

 

Feliz natal!

Sou ateísta. Mas não sou radical! Adoro um peru de natal! kkkkkkkkk

Desejo a todos amigos cristãos um feliz natal!

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Eu, fantasma.

Se Fosse um contos de fadas, começaria com “era uma vez”.

Sabe quando dizem… E eles foram felizes para sempre? A história vai além disso, além do felizes, muito além.

A felicidade acabou quando felicity acordou com uma sensação estranha. O marido não lhe dava muita atenção, parecia uma estranha para ele. Ela até tentava abraça-lo, mas nunca conseguia. Não havia mais olhos nos olhos. Felicity tinha vontade de “dar um tempo”, sair daquela casa e ir encontrar as amigas, mas não tinha coragem ou vontade. Muito medo de não conseguir voltar e se perder – irracional, ela sabia. Também se sentia estranha: desmemoriada. Estava de férias? Não! Era uma licença, tinha acontecido algo e ela estava em casa se recuperando. Tentou ligar para mãe e não conseguiu – apenas caixa postal.

Resolveu prepara um jantar especial e desta vez iria conversar com o marido e resolver a situação. Fez seu prato favorito: Salmão assado e para acompanhar arroz integral e salada de alface com tomates cereja e morangos. Não lembrava quando tinha comprado aquilo tudo, estava tudo bem fresquinho. O marido chegou silencioso como sempre, parecia cansado e triste. Tentou puxar assunto e nada fluía. Perguntou o que estava acontecendo, ele a ignorou e foi para a cozinha, pegou uma lasanha congelada e esquentou. Ignorou totalmente o seu jantar. Felicity correu para o jardim, ficou ali chorando e perdeu a noção do tempo. Voltou para o quarto e deitou ao lado do marido, adormeceu. Teve um pesadelo horrível àquela noite, sonhou com um acidente, velório, marido, familiares e amigos chorando.

Acordou assustada.

Olhou ao seu redor e viu um quarto diferente. Era seu quarto, mas, estava tudo mudado. Ouviu barulho de crianças, cachorro latindo e um gato a olhava. De quem era aquele gato? Onde estavam seus móveis? Estava sonhando ainda? Olhou para seu corpo translucido, começou a ter lembranças do que havia acontecido – O acidente não era apenas um sonho, estava morta! Era apenas o sopro do que era e não existia mais ninguém ali que pudesse alimentar sua lembrança, o marido precisava seguir sua vida.

Finalmente conseguiu entender e aceitar sua condição, não existia mais. Foi apagando, virou uma poeirinha e voltou ao infinito.

 Bonfim36

A vida é engraçada! E você não sabe nada.

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Hoje acordei com uma dor de cabeça horrível. dor que é causada por uma gengiva retrátil, então não posso comer nada muito gelado e nem quente, pois a raiz do dente exposta me dá uma hipersensibilidade medonha!

Hoje também descobri que estava pagando a conta do cartão de crédito duas vezes, porque ela está em débito automático e eu nem fazia ideia!

Também descobri que relacionamentos não convencionais fazem bem a minha cútis!

Não estou só e nem me sinto assim. Mas não estar apegada, ter compromisso, e fazer social com parentes está me fazendo muito bem! quem olha de fora pode achar que um relacionamento assim só é conveniente para o homem… Estão redondamente enganados! Isso é muito bom para mulher também. Relacionamentos convencionais drenam muita energia.

Posso curtir minha dor de cabeça na boa! Curtir meus amigos, curtir a vida de forma mais positiva.

Em um relacionamento BDSM existe sim um comprometimento, mas não é igual aos baunilhas, nunca será. Se você entra em uma história BDSM achando que vai encontrar um namorado(a) e possivelmente um marido ou esposa está totalmente enganado. BDSM é diferente de sexo apimentado é diferente de tudo que você imaginou até agora.

Eu passei muito tempo confusa, imaginando e tentando fazer um BDSM ao meu jeito. Mas eu não sabia de nada! Era estupidamente inocente!

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